Setembro Amarelo: O mês em que o suicídio tornou-se um comércio

Essa imagem foi retirada de um painel de led comercial em um dos edifícios mais respeitosos de São Paulo.
De longe conseguimos ler essa frase e ver o quanto desrespeitosa ela é em relação a morte de alguém. Praticamente conseguimos entender que “se alguém morrer o prejuízo é maior.”
Hoje até o auto-extermínio de uma pessoa é transformado em conteúdo de produtividade pelas empresas, em engajamento nas redes sociais, em audiência para os jornais, ou até mesmo em lucro para quem monetiza essas atividades fazendo da morte algo rentável. Quanto mais trágico, maior é o conteúdo a ser explorado por aquela demanda.
Essa lógica vale para quase todos os sistemas que estamos incluídos de notícias ao ganha pão.
O melancólico sempre terá uma boa resposta para todo e qualquer tipo de frase motivacional e qualquer movimento que represente sua salvação pode ser interpretado como algo negativo, aumentando ainda mais seus motivos para por fim a sua vida.
O melhor a se fazer diante desta posição é reconhecer nossa impotência frente as decisões do outro e não bancar o bom samaritano ou o terapeuta fantástico que resolverá todos os problemas, pois ninguém e nenhuma ferramenta estará a altura para salvar o melancólico de si mesmo, onde todo o enredo trágico acontece.
As pessoas que partem para o ato dentro da sua verdade psíquica, sabem, compreendem o que sentem e possuem muitos motivos legítimos para isso.
Na psicanálise manter um melancólico em alguns casos é o que temos de mais próximo do sucesso em uma análise, dar a ele o próximo minuto… mesmo que sem sentido, sem sabor, sem vontade assim do jeito que ele traz e como traz.
Para o melancólico o próximo segundo é pesado, mas se conseguirmos ajudá-lo a suportar isso evitamos algo pior, pelo menos naquele momento.
E ISSO POR PIOR QUE SEJA, AINDA É VIDA. A VIDA DE ALGUÉM.